Momento de reflexão

Meus caros,

O caminho da suavidade não se trilha apenas no aprendizado de técnicas e na educação do corpo para a execução de golpes. Superficialmente nos parece que o judô é uma arte cujo foco principal é a competição, mas existem muitos outros aspectos que fazem com que essa arte seja tão difundida em todo o planeta.

Visitei recentemente o site “thebestjudo.com” e achei um texto que gostaria de compartilhar com vocês. Boa leitura!

Conta-se que havia um jovem guerreiro que, por jogar diariamente com a vida e a morte devido à sua profissão, começou a se questionar sobre o problema do além. Desejava  saber o que era o céu e o inferno.

Quando seu coração já não podia mais suportar esse mistério, dirigiu-se a uma montanha em busca de um sacerdote ancião que o iluminasse com seus ensinamentos. Ao encontrá-lo, saudou-o reverentemente e lhe disse:
-Oh! Venerável senhor, desejaria que me instruísse sobre o que é o céu e o inferno.
_Esta pergunta é mais própria de um camponês do que  de um guerreiro como tu.
_Respondeu  o mestre  –A menos que sejas  um camponês disfarçado.
_O que dizes?–replicou o jovem samurai.
_Digo que nem parece um guerreiro, não somente por infantil pergunta, senão também pelas roupas que trazes. A esta altura o acidental discípulo já se mostrava vermelho de raiva em vista de semelhantes insultos, mas o sacerdote continuou.
_Tua falta de controle confirma minha suposição. Já não suportando mais, o samurai então desnudou sua espada e sua ira. Nesse momento, com um gesto enérgico o monge  lhe disse:
_ Observa, observa: isto é o inferno. Sentindo-se como que atravessado por uma flecha de vergonha, o jovem abaixou a cabeça, guardou cerimonialmente a espada e falou:
_Perdão, senhor, agora compreendo teu ensinamento.

—Ao que o mestre:
_Isto é o céu. “A honra é o domínio e a fortaleza internos”, dizia Mêncio. “E  ainda que me desnudes e me insultes que importa? Não poderias manchar minha alma com teu ultraje”. (texto, revista, planeta nº131-A)

Sei que às vezes pode parecer cliché, mas como sabiamente dizia Jigoro Kano, a maior vitória que se conquista, é a vitória sobre a própria ignorância.

Tenham todos uma ótima semana!

Judô para deficientes visuais

Olá meus queridos,

Demorei bastante tempo para essa nova postagem por alguns motivos de caráter pessoal, mas acima de tudo em virtude da escassez de material especializado.

Aproveito para compartilhar um assunto de extremo interesse social.

Bom proveito!!!

Segundo Ramon Macedo, para o deficiente visual, a imagem do corpo, bem como sua interação com o meio-ambiente, são conceitos abstratos, porque eles não dispõem de referencias visuais. Por essa razão, eles acabam por desenvolver os outros sentidos.

Devido às dificuldades inerentes à ausência de visão, os deficientes visuais acabam por desenvolver o sedentarismo, a falta de equilíbrio e outros problemas relacionados.

O judô pode atuar como via determinante para a auto-descoberta, bem como meio de desenvolvimento da mobilidade independente e da orientação segura.

O judô é praticado por atletas cegos e com deficiência visual que, divididos em categorias por peso, lutam segundo as mesmas regras da Federação Internacional de Judô.

Poucos aspectos diferem do judô convencional. São eles: os atletas iniciam a luta com a pegada feita (um segurando no quimono do outro), a luta é interrompida quando os oponentes perdem o contato e não há punições para quem sai da área de combate.

Judocas das três categorias oftalmológicas, B1 (cego), B2 (percepção de vulto) e B3 (definição de imagem) lutam entre si. O atleta B1 é identificado com um círculo vermelho em cada ombro do quimono.

O sistema de pontuação é igual ao olímpico e sua prática pode ser feita entre atletas cegos e não-cegos.