Queridos amigos,
Há exatamente onze anos publiquei meu último artigo aqui. Onze anos. Tempo suficiente para uma criança aprender a ler, para um judoca branco chegar à faixa marrom, para o mundo mudar completamente, e para eu sentir, todos esses anos, que havia algo inacabado aqui. Vocês continuaram inscritos. 881 de vocês. Isso me diz tudo o que preciso saber.
O judô não nos deixa ir embora facilmente. Sua filosofia se instala silenciosamente na forma como pensamos, como ensinamos, como nos relacionamos com a derrota e com a vitória. Seiryoku zenyo. Jita kyoei. Máxima eficiência. Bem-estar mútuo. Princípios que Jigoro Kano não criou apenas para o tatame, criou para a vida inteira. Foi exatamente isso que me trouxe de volta.
Este espaço se chamava “Caminho da Suavidade”. Agora se chama Judowise — mesmo espírito, novo nome, novo endereço: judowise.com. A ideia continua a mesma que me motivou em 2011: explorar o judô além das técnicas, além das competições, além das faixas. O judô como filosofia de vida, acessível a todos: crianças, pais, judocas iniciantes e veteranos. Mas agora vamos mais longe.
O Judowise nasceu de uma convicção simples: o judô tem muito mais a dizer do que os manuais técnicos conseguem capturar. Há sabedoria no ukemi que vai além de aprender a cair. Há filosofia no kuzushi que transcende o desequilíbrio do adversário. Há lições no randori que nenhuma sala de aula consegue ensinar da mesma forma.
É sobre isso que quero escrever. Sobre o que o judô nos revela quando paramos de olhar apenas para a técnica e começamos a olhar para nós mesmos.
Tudo construído com a mesma honestidade que sempre tentei trazer para cá: a de um judoca que aprendeu muito mais do que ensinou, e que está muito mais disposto a continuar aprendendo do que a fingir que já sabe tudo.
Se você ainda está aqui, seja bem-vindo de volta.
Se chegou agora, seja bem-vindo.
O tatame está pronto.
Oss.
Anderson Nakamura Faixa Preta 3º Dan | Federação Brasileira de Judô