A importância do Plano de Aula

É muito comum que pessoas envolvidas ou interessadas no judô se interessem pela história, técnicas, filosofia e outros aspectos relacionados ao esporte. O que tenho percebido é que alguns professores carecem de suporte pedagógico na sua formação como faixas-pretas e no dia-a-dia, quando das aulas ministradas pelos tatames Brasil afora.

Temos que ter em mente que um dos atores que mais influencia psicologicamente a criança, é o professor. Por isso, “ele precisa estar sempre atualizado, ler muito, e tomar conhecimento dos diferentes aspectos do desenvolvimento infantil”. (Antonio Francisco Cordeiro Rosa)

O planejamento deve ser diferenciado levando em consideração a faixa etária do aluno e também os objetivos a serem alcançados. Muitas vezes é inviável que se criem turmas diferentes com objetivos específicos. O mais comum é que as turmas sejam divididas por faixa etária e dentro da turma existam alunos com as mais diversas metas, desde sair do sedentarismo à busca de uma medalha olímpica. Por esses motivos é que o professor deve buscar o tratamento individualizado, respeitando as características e anseios individuais, e também as limitações de cada um.

Quando um faixa preta vai para o tatame ensinar, ele deve estar preparado para formar muito mais que atletas, está em sua mão também a responsabilidade de ensinar valores, ética e respeito ao próximo. Sabemos que tais afirmações ficam em um plano muito abstrato quando não se tem formação na área da educação, mas é possível difundir essa cultura.

Já ouvi algumas discussões no sentido de que apenas professores de educação física deveriam dar aulas de artes marciais, mas ter diploma universitário é suficiente para o domínio de técnicas, cuja prática nos mostra, que só podem ser dominadas depois de anos de treinamento e dedicação? Acredito que o judoca dedicado busca o aperfeiçoamento pessoal de maneira a transmitir o conhecimento e propagar as melhores práticas de ensino e do judô.

Cada aula deve prescindir da utilização de um plano de aula, que deve conter os objetivos gerais e específicos, listar os exercícios de aquecimento, alongamento, técnicas a serem ensinadas e quaiquer outros pontos de interesse. Nesse mesmo documento, devem ser registrados eventos tais como lesões, presença de alunos ou qualquer outro evento que possa ser questionado posteriormente. Esse documento tem validade jurídica, e pode servir como prova caso as atitudes do professor venham a ser questionadas no futuro.

Podemos voltar a abordar esse assunto no futuro de maneira mais específica, realmente abordando os aspectos mais procedimentais do documento, mas a intenção desse artigo era chamar a atenção e a reflexão a respeito do assunto.

Tenham todos uma excelente semana.

“O judoca é o que possui: humildade para aprender aquilo que lhe ensinam, paciência para ensinar o que aprendeu aos seus semelhantes e fé para acreditar naquilo que não compreende. Saber cada dia um pouco mais e usá-lo todos os dias para o bem”.

                                                                                                                                                                                        JIGORO KANO

O judô e a aprendizagem global

Olá meus amigos,

Venho trazer hoje uma reportagem interessante sobre o aprendizado do judô.

Quem de nós nunca presenciou, ou teve notícias de médicos, psicólogos ou profissionais da área da educação que recomendaram o judô para crianças com problemas de indisciplina, déficit de atenção, hiper-atividade ou mesmo para preencher o tempo livre?

O judô traz, além dos benefícios físicos, uma gama de conhecimentos na área da história mundial, com especial enfoque na história do Japão e no contexto onde a criação do judô está inserida. Traz também um sólido código moral e ético, que faz com que o judoca seja reconhecido e bem quisto onde quer que ande.

Em tempos onde a modernidade parece suprimir certos valores, a tradição judoística os cultua.

Para exemplificar alguns dos benefícios eis um interessante exemplo:

Tenham uma boa semana!

Treinando atletas com deficiência visual

Me pediram para que falasse a respeito de Judô para atletas cegos e tive a oportunidade de descobrir um novo mundo de possibilidades. Há um tempo atrás falei sobre esse mesmo assunto, mas as informações que eu tinha eram muito limitadas. Não parei de pesquisar e o prêmio por isso foi o conhecimento  desse lado tão bonito do judô.

Gostaria de compartilhar um artigo de  Neil Ohlenkamp. Aproveitem!

Judô é um dos poucos esportes que atletas com deficiência visual podem participar de forma plena, sem maiores adaptações. Talvez porque o judo tenha evoluído como arte marcial desde sistemas antigos de combate, o atleta cego pode atingir um senso especial de satisfação por participar em pé de igualdade com atletas sem qualquer problema visual. Em competição, tanto em shiai como em kata, atletas cegos tem alcançado grandes sucessos contra atletas com visão normal.

O campeonato mundial masculino para atletas cegos tem sido realizado desde meados dos anos 80, quando a Associação Internacional de Esportes para Cegos aceitou o judô como esporte paraolímpico tendo em 1995 também organizado competições femininas a partir de 1995. Os Estados Unidos tem alcançado excelentes resultados na classe mundial para competidores cegos, tais como:

  • 1987 Copa do Mundo: duas medalhas de ouro
  • 1988 Paraolimpíadas: duas medalhas de bronze
  • 1990 Campeonato Mundial: uma de ouro e uma de prata
  • 1991 Campeonato Kodokan : uma de prata e uma de bronze
  • 1991 Copa do Mundo: uma de ouro e uma de bronze
  • 1992 Paraolimpíadas: três de prata

Hoje, as oportunidades existem para competição e treinamento a nível  local, regional, nacional e internacional e campos de treinamento específicos para atletas cegos.

Quando do trabalho com judocas com deficiência visual, devem-se observar alguns princípios que podem auxiliar o professor em propiciar o melhor ambiente de aprendizagem possível. Esses princípios são basicamente os mesmos princípios aplicáveis a qualquer outro judoca, e pode ser traduzido  da seguinte forma:

  1. Use descrições verbais para suplementar as demonstrações. Seja o mais preciso possível. Quando estiver descrevendo uma ação evite usar termos como “desse jeito”, “coloque a mão aqui”, ou “se move dessa maneira”. Termos que se relacionem com dicas visuais não darão  informações para os deficientes visuais e o judoca pode se sentir confuso. Especifique claramente qual parte do corpo está envolvida na técnica (esquerda ou direita, por dentro ou por fora) e seja consciso na descrição. Descreva a técnica ou exercício em uma velocidade normal enquanto é demonstrada.
  2. Não interrompa a aula para que o aluno possa perceber onde está o professor. Sinta-se à vontade para usar um estudante como perceiro na demonstração, mas tente usar também os demais de maneira que propicie também aos demais acompanhar o que está acontecendo.
  3. Trate o atleta deficiente visual como pessoa. Aprenda sobre o grau de deficiência visual aquela pessoa tem e não faça suposições a respeito das habilidades ou do nível técnico do atleta; existem atletas cegos com pouca coordenação assim como outros altamente coordenados, assim como qualquer outro estudante, uns aprendem rápido e outros devagar, existem fraquezaes e forças das quais se pode tirar vantagem. Trabalhe com as necessidades individuais, mas não trate o deficiente visual como se fosse um aleijado.
  4. Para aqueles que podem se beneficiar disso, comece com uma orientação da sala e da área de treinamento. Permita que os deficientes visuais se familiarzem com o ambiente à sua volta através da exploração e da descrição verbal, enfatize qualquer ameaça em potencial, para permitir que os estudantes sejam tão auto-suficientes quanto possível.
  5. Durante as instruções ou treinos, dê dicas audíveis, permitindo com que o estudante determine sua localização na sala mesmo sem ver. Não permita que o estudante vaguei pelo tatame ao que se dirija a qualquer lugar perigoso, mas evite agarrá-lo ou puxá-lo para lhes mostrar a direção, a não ser que isso seja necessário, para resguardar-lhes a segurança. Ofereça-se para guiá-los, se achar que eles precisarão de ajuda. Condicione-se às instruções verbais, de forma a respeitar a dignidade do aluno.
  6. Desafie o atleta deficiente visual como qualquer outro atleta. Espere participação total e esforço máximo.
  7. Integre atletas cegos em aulas regulares de judô, mas permita, sempre que possível, oportunidades para competição e treinamento com outros atetas cegos. Ensine os outros competidores sobre as regras especiais de competição para atletas cegos.
  8. Ouça seus alunos e deixe-os dizer se eles precisam de ajuda. Sinta-se a vontade para perguntar o que você poderia fazer para ajudar.
  9. Evite ensinar baseando-se em equívocos. Em que pese alguns atletas serem bons no trabalho de solo, é um mito presumir que todos eles gostem das técnicas de solo. Deficientes visuais podem fazer varridas de pernas, eles podem executal ukemis e katas, e eles podem ser efetivos em qualquer outro aspecto do judô.
  10. Os atletas deficientes visuais não querem que os outros olhem para eles com simpatia. Da mesma forma, eles não querem sentir como se o que fazem fosse inspirador. Não é necessário uma coragem especial para que o atleta cego pratique judô. O atleta cego quer as mesmas oportunidades de participação que qualquer outro tenha, sem carregar consigo qualquer bagagem ou resposabilidade. Todos os estudantes de judô são corajosos e inspiradores, e todos eles superam grandes dificuldades e problemas pessoais.
Tenham todos uma ótima semana.