Jigoro Kano tentava dar maior expressão à lenda de origem do estilo Yoshin-Ryu (Escola do Coração de Salgueiro), criado por Shirobei Akyama, que se baseava no princípio de “ceder para vencer”, utilizando a não resistência para controlar, desequilibrar e vencer o adversário com o mínimo de esforço.
Shirobei Akyama era um médico japonês que foi à China em busca de respostas para as doenças causadas pelo desequilíbio ou mal uso das energias e do próprio corpo. Em sua viagem aprendeu várias técnicas que foram ensinadas a seus alunos quando do seu retorno, contudo, tais técnicas não se mostravam eficientes quando a força era desproporcional ou quando o adversário era muito grande. Em virtude da ineficácia das técnicas ele foi então abandonado por seus discípulos. Akyama se impôs então uma meditação de 100 dias onde conseguiu entender, observando um salgueiro e uma cerejeira sob a neve do inverno como deveria funcionar os princípios da máxima eficiência.
Os galhos da cerejeira se quebravam com o peso da neve enquanto os galhos do salgueiro cediam, deixando a neve escorregar e então voltavam à posição natural.
Como pensamento filosófico também podemos tirar várias outras lições da lenda criada pelo Sensei Akyama. Ao ceder, preserva-se a raiz, pricípios, e tudo o que sustenta a árvore tal qual o indivíduo. Acredito ser esse um dos princípios mais importantes ensinados pelo judô.

Em um combate de jujutsu, o praticante tinha como o único objetivo a vitória. No entender de Kano, isso era totalmente errado. Uma atividade física deveria servir, em primeiro lugar, para a educação global dos praticantes. Os cultores profissionais do jujutsu não aceitavam tal concepção. Para eles, o verdadeiro espírito do jujutsu era o shin-ken-shobu (vencer ou morrer, lutar até a morte).
Por suas idéias, Jigoro Kano era desafiado e desacatado insistentemente pelos educadores da época, mas não mediu esforços para idealizar o novo jujutsu, diferente, mais completo, mais eficaz, muito mais objetivo e racional, denominado de judô. Chamando o seu novo sistema de judô, ele pretendeu elevar o termo “jutsu” (arte ou prática) para “do”, ou seja, para caminho ou via, dando a entender que não se tratava apenas de mudança de nomes, mas que o seu novo sistema repousava sobre uma fundamentação filosófica.